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2012 (Rolan Emmerich, 2009)

Novembro 18, 2009

Primeiramente, você conhece Roland Emmerich? Então sabe que ele recebeu essa alcunha de “mestre do desastre” não à toa. Se você gosta de suas catástrofes anteriores, provavelmente goste dessa também, se não gosta, acho que não vai ser aqui que passará a gostar, afinal, ele acaba repetindo-se. Emmerich não passa de um louco que quer ver o circo pegar fogo e não poupa esforços para realizar as mais fantásticas catástrofes que o cinema já concebeu.

Mas vou logo avisando, se você não gosta de filmes com clichês (pais separados, filho que chama o pai pelo nome e gosta mais do padrasto “cool” (leia-se rico) entre outras pérolas) com enredos rasos, com diálogos patéticos tirados dos Teletubies, com choro forçado, com situações nada nada verossímeis, é… passe longe desse. Mas se você é adepto do bom e velho filme catástrofe onde só se preocupa com as… catástrofes, bom, veja! Aqui o Emmerich, por incrível que pareça, amplificou o que já havíamos visto em O Dia Depois de Amanhã. 2012 é totalmente frenético a partir dos seus, sei lá, 40 minutos, quando o Cusack vai buscar sua família numa limousine afim de escaparem dos primeiros sinais do desastre, essa sequencia, na minha opinião, é o grande momento do filme, é tão forçada, exagerada, tão… tão… cinema. Pena que as partes que entrecortam as espetaculares sequências de destruição não sejam boas o suficiente pra dar liga ao filme e torná-lo realmente bom, somado a isso a sua duração exagerada (já que grande parte dela é enxertada com os tais bla bla blas) acabam tirando um pouco do divertimento “porralouca”que se espera, mas nada que comprometa a experiência como um todo.

Enfim, desligue um pouco esse cérebro aí, compre um sacão de pipoca um refrizão e aproveite o fim do mundo.

nota: 2/4

Cão Branco (Samuel Fuller, 1982)

Outubro 31, 2009

é, não adianta, esse é obra-prima forte mesmo. o Fuller mostra aqui que dá pra juntar tudo no pacote, clichês, sociologia, trilha sonora, ENQUADRAMENTOS DO CARALHO, polêmica, etc, sem perder a mão. a questão é que, ele pega tudo e faz da forma mais direta possível. trata do racismo sem nenhuma sutileza (e quem disse que sutileza é qualidade, necessariamente?), entra pela porta dando um bico, esfrega na cara do público médio americano (e do mundo, course) – muito bem representado pelo velhinho simpático e repugnante, dono do cão – a sua hipocrisia.

um povo que está tão evoluído que, prescinde de um Star Wars (quem viu entenderá a raferência hehe) da vida, sequer soube lidar com uma questão tão… tão… simples? quanto o racismo. simples do ponto de vista de que é uma imbecilidade tão óbvia que, bom… enfim. e fora que ele filma o cão, dando indícios claros de que ele não é o verdadeiro culpado, não nos faz acusá-lo, mas também não nos faz aceitá-lo, o que é pior, já que a gente não sabe bem o que quer em relação a ele. fica aquela coisa de se autopodar. a sequência final é bem ilustrativa disso, ao passo que, ao que parece, o cão está, de fato, curado. a câmera vem flutuando, girando, mostra a feição dele, língua pra fora, simpático… gira, gira, quando fecha os 180º, bom… ali está: a outra face, a raiva estampada na cara do bicho, essa dualidade (sem contar que, ali a gente vê, que não só é um racista, mas um assassino nato e te pergunta: há ressocialização? nah, mete um tiro nessa praga). o Fuller conseguiu mostrar a dualidade através da imagem em questão de segundos, e com um giro de câmera excepcional. e nem vou citar as câmera lenta, esse cara, definitivamente, sabe usá-la (a cena acima que o diga). dá mais pena ainda daquele vômito que atende pelo nome de Crash.

nota: 4/4

Anticristo (Lars von Trier, 2009)

Setembro 20, 2009

vem sendo bradado aos quatro ventos que, Antichrist é um filme difícil, e eu concordo, é um filme difícil de assistir, mas não por ser extremo, brutal, ou demasiado simbólico/ideológico, mas sim, por um motivo bem mais simples… é um filme ruim.  a sensação é que, o Von Trier se perdeu dentro de si mesmo, e suas idéias, um filme que se sustenta basicamente por sua fama de agressivo, ou metafórico, não pode ser, de fato, muito substancial.

parece-me que há uma clara inversão de valores, ao passo que metáforas e cenas isoladas devem – ou deveriam – fazer parte dum todo, senão você apenas elenca separadamente tais qualidades mas ressalta a fraqueza narrativa da obra, é o caso. aqui temos duas atuações estupendas soterradas por um filme mal conduzido, capenga. é muito fácil dizer que é algo experimental como forma de tentar diminuir a fraqueza narrativa da obra, mas isso é conversa pra boi dormir, uma forma de defender o indefensável. ser experimental, metafórico (raposa falante, sei, interação com a natureza, isso até dr. dolittle é mais feliz, haha) ou ousado, não é sinônimo de qualidade. e esse papinho de que é um filme pra quem tem cérebro (só os inteligentes podem ver? rá!) é outra tentativa insegura e frustrada de defender um pobre ponto de vista. o cinema é sensorial sim, e pode ser que alguém goste desse filme, mas não por esses motivos rasteiros e sem se blindar contra críticas – “eu gostei, sou inteligente, você não, é burro”.

NOTA: 1/4

e temos o filme do ano

Agosto 11, 2009
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Inimigos Públicos (Public Enemies, Michael Mann, 2009)

não só por ter a melhor captura em digital já realizado (visceral, diria), por ter um grande personagem, por uma ótima trilha sonora (incluindo aí a falta de) ou por ser um belo filme de gênero, mas também por extrapolar tudo isso e entregar um filme com lindos enquadramentos (o que é a sequência do bosque com luz natural? a introdução do Bale, um abuso), Cotillard falando com os olhos, diálogos inspirados e um romance… que romance, arrebatador, daqueles que arde como se o mundo fosse acabar amanhã (não que seja de todo errado, no caso). por esses e outros motivos, o filme a ser batido no ano de 2009 e, sinceramente, acho difícil alguém conseguir – é, isso serve pra você Scorsese e pra você Tarantino. Mann is the man, é clichê, mas é real.

O Lutador (Darren Aronofsky, 2008)

Fevereiro 15, 2009

o aronofsky abandonou aquele cinema cheio de maneirismos e tiques estéticos (sim, eu gosto de requiem assim mesmo) nesse novo. a impressão que fica é que ele resolveu preocupar-se mais com o estado psicológico de seus personagens do que massagear seu ego de diretor-cult-fazedor-de-arte. pois bem, mostra talento sendo mais comedido e, principalmente, objetivo. o lutador dentre toda sua gama de complexidade psicológica, é, acima de tudo, um filme sobre o passado e o presente, sobre o velho contra o novo, sobre o esquecimento, sobre a solidão.

nota: 3/4

O Curioso Caso de Benjamin Button (David Fincher, 2008)

Janeiro 17, 2009

é interessante – o tema por si só já é – mas não sei, o fincher perdeu a chance de fazer algo diferenciado (o tema pedia isso) e ele se limita a perder tempo tratando do Bejamin como um aleijado social, como outro qualquer. algo raso e comum, portanto. mas tem coisas que adorei, o relacionamento dele com a Blanchett é bem interessante, a fotografia é linda, rende ótimas imagens, além do elenco, que gostei muito, até dos velhinhos hehe. o que fode tudo de vez é a maldita – e inevitável – expectativa, porra, esse cara vinha de Zodíaco, eu pensei que seria um grande filme por conta disso, saí decepcionado, não achei ruim, mas também não é exatamente bom. tem horas que é ótimo, mas tem horas que dá sono, tempo demais perdido correndo atrás do próprio rabo.

nota:  2/4

Vicky Cristina Barcelona (Woody Allen, 2008)

Novembro 20, 2008

adoro esse título, essa coisa de transformar essas três personagens em uma coisa só. tô com preguiça de escrever, mas queria deixar registrado que o novíssimo filme do Woody Allen é ótimo, agradável… delicioso. interessantíssima a opção por trocar Londres (Manhattan bailou faz tempo, pena) por Barcelona, em busca de maior calor e, ele consegue, o filme transborda calor. e os personagens também. e eu encontrei o novo amor da minha vida. não, não é a Scarlett Johansson, é a atriz – que eu não conhecia -  que interpreta a Vicky (Rebecca Hall – foto), tem uma doçura, um olhar meigo, nossa. já a Penélope Cruz (a melhor personagem do filme, melhor atuação também) pulsa sexualidade, é a fêmea por defiinição, inacreditável o magnestismo dela.

adoro essa coisa meio mochileira de viajar em busca de algo, sem bem saber o que é, e lá pelas tantas se deparar com situações jamais imaginadas, e isso tudo mudar completamente a tua vida, ou não – que dependendo do caso, é mais sensacional ainda. eita destino irônico.

nota: 3/4