vem sendo bradado aos quatro ventos que, Antichrist é um filme difícil, e eu concordo, é um filme difícil de assistir, mas não por ser extremo, brutal, ou demasiado simbólico/ideológico, mas sim, por um motivo bem mais simples… é um filme ruim. a sensação é que, o Von Trier se perdeu dentro de si mesmo, e suas idéias, um filme que se sustenta basicamente por sua fama de agressivo, ou metafórico, não pode ser, de fato, muito substancial.
parece-me que há uma clara inversão de valores, ao passo que metáforas e cenas isoladas devem – ou deveriam – fazer parte dum todo, senão você apenas elenca separadamente tais qualidades mas ressalta a fraqueza narrativa da obra, é o caso. aqui temos duas atuações estupendas soterradas por um filme mal conduzido, capenga. é muito fácil dizer que é algo experimental como forma de tentar diminuir a fraqueza narrativa da obra, mas isso é conversa pra boi dormir, uma forma de defender o indefensável. ser experimental, metafórico (raposa falante, sei, interação com a natureza, isso até dr. dolittle é mais feliz, haha) ou ousado, não é sinônimo de qualidade. e esse papinho de que é um filme pra quem tem cérebro (só os inteligentes podem ver? rá!) é outra tentativa insegura e frustrada de defender um pobre ponto de vista. o cinema é sensorial sim, e pode ser que alguém goste desse filme, mas não por esses motivos rasteiros e sem se blindar contra críticas – “eu gostei, sou inteligente, você não, é burro”.
NOTA: 1/4